sexta-feira, 4 de junho de 2010

Quem não mudar, muda!

Conheci um empresário de sucesso que em nossas conversas sempre dizia: quem não mudar, muda! Pois é, foi o que aconteceu com ele. Há quinze anos no negócio, foi criador de um mercado, de uma associação e de uma feira onde se movimenta milhões ao ano. Com formação de engenharia, esse empresário usou os conceitos do marketing há 15 anos criando necessidades aos clientes, mostrando como gerenciar o negócio, colocando atributos aos produtos e serviços, não vendendo preço. Saiu pelo Brasil fazendo palestras aos clientes, conquistando novos clientes e mostrando como o negócio é maior do que eles pensavam. Resultado! Sucesso total e sua empresa cresceu ininterruptamente por vários anos.

Depois de vários anos, como é normal, surgiram vários concorrentes, muitas cópias de seu modelo, muitos fabricantes nacionais do mesmo produto, que antes eram somente importados, e muitos deles entraram no modelo de venda por preço e o mercado foi deteriorando-se. Em conseqüência dessa mudança do mercado e a própria mudança natural do mundo, o modelo desse empresário precisava de ajustes e da participação da equipe comercial da empresa. Quando ele saía ao encontro dos clientes, ele deixava a seus clientes somente o trabalho de ligar na empresa e os vendedores tirarem os pedidos.

Foi quando começaram os problemas. Ele parou de sair ao encontro com os clientes, não conseguiu modernizar seu modelo de ação juntos aos mesmos e não acreditava mais naquilo que foi sucesso no passado. A equipe de vendas, principalmente o gestor da área que estava acostumado somente a tirar pedidos, não sabia como reverter à situação, entrando em rota descendente. A empresa foi perdendo mercado, conseqüentemente faturamento, perdendo exclusividades dos fornecedores e perdendo o maior ativo de uma empresa, capital humano. Muitos deixaram a empresa por falta de vislumbrar um futuro profissional, pelo ambiente de trabalho ruim causado por gestores que não sabiam liderar e sim concentrar e mandar. O departamento de vendas chegou a trocar todos os vendedores em um único mês e isso era o prognóstico que as coisas estavam sem controle e que o modelo não estava funcionando. Nada foi feito e os resultados eram previsíveis.

Recentemente recebi um email de um amigo e ex-funcionário dizendo que esse empresário estava deixando a empresa. Quando o mesmo avisou a todos sua decisão, outro ex-funcionário me chamou e disse tudo o que estava acontecendo, inclusive quem será o próximo diretor. Recebi essas noticias de pessoas que já se desligaram da empresa, que contribuíram muito para o crescimento (e ainda podem contribuir) que disseram que o previsível havia acontecido. Segundo eles, ainda bem, porque a empresa já estava trabalhando no vermelho.

Diante dessa história, observo que cada vez mais temos que ser coerentes com o que falamos e não adianta saber frases como o titulo mostrado acima para se manter o negócio. A frase é fato e foi o que aconteceu com o próprio empresário. Suas palavras não corresponderam às suas ações. Esse empresário há de contribuir muito com nosso país e tem muita competência para continuar sua vida profissional em um novo negócio e desejo que assim o faça. Podemos tomar a lição de sempre estarmos nos atualizando, revendo conceitos, escutando mais os que estão ao lado, participando do mercado e não os vendo como menos ou pelos seus atos. Necessitamos refletir sobre nossos atos todos os dias e ter a capacidade de perceber se nós não nos tornamos arrogantes, cegos pela vaidade e reconhecer que o sucesso do passado não garante o do presente, muito menos do futuro. Precisamos sempre ter a certeza que as mudanças virão cada vez mais rápidas e temos que acompanhá-las, promovê-las e não ser o agente passivo. Tenham a certeza de uma coisa: quem não mudar, muda!

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